segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Confissões de um infiel
Transtornado, confuso, talvez não sejam bem umas das minhas melhores características, mas assim eu me via ao lado dela, não literalmente ao lado, mas junto, morrendo de saudades daquela que me fazia sentir bom, daquele olhar que, apesar de marcados de choro, saltitava de felicidade a me ver e eu, correspondia, mas só quando a via, porque longe tudo mudava e quem parecia ser transtornada e confusa era ela, o que me despertava, também, a confusão.
E cada dia que passava, eu me esquecia de como era ficar perto, sentia-a afastando-se de mim e, a cada noite, as ligações eram mais rápidas, até que conheci outros lábios… Não tão finos, não tão pequenos, mas de sorriso fácil, que me encantaram e fizeram me decepcionar com aquela que eu já não tinha certeza se ainda amava.
Encantado por outra, rendi-me àqueles lábios que também me faziam sorrir e perto deles, já não me lembrava da angustiante ausência dela. Rendi-me sem pensar nas conseqüências daquilo, sabia que ela morreria por mim, mas não sei e nunca saberei lidar com um romantismo que chegasse a este ponto. Rendi mesmo sabendo que ela não era como as outras de antes, que aquele amor era verdadeiro, mas aqueles sorrisos vindos daqueles lábios não me deixaram lembrar isso.
Cheguei em casa, ainda anestesiado, disposto a abandonar aquela moça que há quatro anos me amara e me escutara até nos piores momentos apenas para continuar me rendendo aos encantos de outra, daquela outra…
Confessei, mas não sabia que seria tão difícil, e depois de dizer, tive um momento epifânico. Percebi que a amava, que sempre a amei. E ela, naquele momento aos prantos, nunca esquecera de que o seu coração era somente meu. Fraquejei, me arrependi, não demorou muito e rolava uma lágrima em meu rosto. Ela não me perdoaria por tudo o que eu havia feito, da forma que fiz.
Perdera-se o sentido de tudo aquilo. Procurando a felicidade, fui infeliz fazendo-a triste. Em poucas vezes da minha vida me senti tão egoísta quanto àquele momento, não queria me prender a ela, a temperatura de seu abraço era ideal, os infinitos beijos me faziam pateticamente bem, mas seu humor não.
Fui egoísta por não tentar entender seus motivos, por abandoná-la sem tentar fazê-la sentir bem, por pensar somente em mim e esquecer-me que ela também sentia saudade, que ela também sentia, por esquecer-me.
O que posso fazer agora é cegar-me, outra vez, com esta outra pessoa, é torcer para que esse encanto não acabe tão rápido, passar horas, o tempo todo talvez, já que quando estou sozinho o que eu penso é naquela que eu fiz chorar, e fico mal não conseguindo me perdoar por tudo o que eu fiz a ela, mesmo sabendo que já tenho o seu perdão. O que posso fazer é cuidar para não sentir falta do seu senso de humor, do seu cabelo que sempre nos atrapalhava, do que não tínhamos em comum e da forma que como isso me completava. Cuidar para não sentir a falta dela.
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